Conto de fadas nas ondas da Joaquina

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Conto de fadas nas ondas da Joaquina

Category : mídia

Depois de passar fome e pedir esmola, Fininho se destaca no Brasileiro

Aos 7 anos, o paraibano José Francisco Fininho parecia mais uma das tantas crianças sem oportunidade no país, com uma história que infelizmente é comum nas cidades grandes. Cansado de apanhar do pai, saiu de casa e foi morar nas ruas de João Pessoa, na Paraíba. Dormiu no chão, passou fome, pediu esmola.

De bem com a vida. Fininho realiza sonho e disputa o SuperSurf

Treze anos depois, Fininho realiza seu sonho, competindo entre os melhores surfistas do país. Ontem, ele conseguiu o melhor resultado de sua curta carreira até o momento, passando para a sexta fase da etapa do SuperSurf, que termina hoje na Praia da Joaquina, em Florianópolis.

— Uma vez, vi um campeonato do circuito brasileiro em Pernambuco e coloquei na cabeça que um dia chegaria lá, que participaria de um evento do SuperSurf. É um sonho que está sendo realizado — diz Fininho.

De sorriso fácil, o paraibano de 20 anos não se furta ao relembrar os problemas da infância sofrida:

— Saí de casa com meu irmão porque meu pai batia em nós e na minha mãe. Fomos para a rua e foi muito difícil. Não tinha onde dormir, não tinha o que comer. Pedia comida e dinheiro para as pessoas.

O destino de Fininho começou a mudar na noite em que conheceu, na porta de uma padaria, o surfista Valdir Silva. Além de ganhar uma sacola de pães, foi convidado a conhecer o bar de Valdir, na beira da praia de Intermares.

— Lá, conheci o surfe e comecei a pegar minhas primeiras ondas. O Valdir virou minha vida e se tornou meu pai e minha mãe — conta.

Após morar alguns anos no bar, Fininho conheceu o projeto carioca VivaSurf e foi morar no Rio. Hoje, em seu primeiro ano como profissional, treina no Recreio, Prainha ou Grumari, e sonha com uma vaga na elite mundial:

— O objetivo é o WCT. Mesmo que eu não seja campeão mundial, quero ao menos estar lá.

MEDINA NAS QUARTAS DO WCT

Atrelado ao sonho de se tornar um surfista profissional de sucesso, está outro objetivo na vida de Fininho: ajudar a família. Desde que saiu de João Pessoa, ele não manteve mais contato com os pais e irmãos, mas recebe notícias através de outros parentes:

— Estou longe agora, mas nunca vou me esquecer deles. Meu irmão, que morou na rua comigo, foi para o lado errado. Roubou, foi preso. Fico triste. Quero resgatar minha família, reunir todos. Meu sonho é ajudá-los.

Enquanto isso, em Trestles, na Califórnia, os brasileiros continuam fazendo bonito. Ontem, Adriano de Souza, Gabriel Medina, Filipe Toledo e Wiggolly Dantas passaram às quartas de final da oitava etapa do Mundial de Surfe.

http://oglobodigital.oglobo.globo.com/epaper/viewer.aspx?noredirect=true


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